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Um Ribatejano TranquiloNuma palavra, um mundo, na tua ausência, o meu mundo.
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25 de Abril
Heart – Jiri Sebek _____________________________________________________________________________________ Nesta madrugada em que se fez liberdade Resto eu, fitando a luz mortiça que dos salgueiros Na calma da noite se vai espalhando em redor De um espaço que deixou de existir. Este é o meu reflexo Reflection #1 – A R Images ____________________________________________
Este é o meu reflexo Fragmentos dos fragmentos em que me tornei Negro e cinzento, no limite do que é observável Purga que de mim vai escorrendo A mim retornando Compondo no sal
Sea road- Robert Green _______________________________________________
Mesmo quando os ecos reverberarem para além dos montes longínquos Ou se as luzes já estiverem esbatidas sobre as copas das árvores de cristal Ainda que sejam ténues os sons dos pássaros que se agasalham no cair da tarde E os insectos façam raiar nas suas asas os prantos da natureza que adormece Saberei que por remota que seja a minha comparência na tua memória Persistirei com a garra de quem sobrevive no vaivém das ondas em falésias de mar agreste Compondo no sal das minhas lágrimas a irrepreensível perfeição do teu ser neblina
Quiet Dawn #2 – Karel Sobota ______________________________
da porta da minha cabana imaginária vejo o nascer do dia e imagino por entre a neblina que preguiçosamente flui os teus paços na margem do lago que são os meus pensamentos imaginando-te
A luz da noite In the Night – Paolo Rella ________________________________________________________________________
Podia ficar aqui simplesmente sentado, como tantas vezes faço E tu nem saberias que me deixo quedar, atravessando a madrugada Perdido no imenso lago que são os teus olhos, e apenas vogar. Permitia-me declinar ao fundo do teu sorriso, e contemplar com cansaço Os pálidos raios de lua que atravessam as lembranças e descansam na almofada Que acolhe este corpo esgotado de noite após noite simplesmente esperar. Rumaria talvez guiado pela estrela que no horizonte paulatinamente desfaço No barco que é o teu corpo e me baloiça ao sabor da coisa ansiada Para por fim, ao primeiro raio de sol, tomar a dolorosa decisão de simplesmente acordar.
Desejos
Riflessi dopo la pioggia – Gabriele Simonetti ________________________________________________________________ Há no teu cândido sorriso o sabor da fruta madura Há no teu porte o desejo que o dia dure nem que seja mais um segundo Mesmo agora quando já não provo da fruta do teu sorriso Cobertores de pedra
S/t – Alberto Pérez ______________________________________ Um dia deixarei de percorrer os caminhos de pedra gasta Nas noites em que os ventos rugem na minha cabeça Feras soltas do circo que foi a vida E as colunas desabarão como peças de cartão prensado. Na luz baça que me acompanha vejo o tempo parado E encosto-me às mesmas paredes que visito sem cessar Fitando as rachas que o bolor vai tomando candidamente Faço força, e nada desaba sobre a calçada da memória.
Um dia a noite será dos justos e dos puros Dos imaculados que se consolam na rectitude do seu estar E nós, os sem pátria do nosso contentamento Pousaremos o olhar sobre a pedra e faremos dela O cobertor que finalmente nos cobrirá. Há inverno
Talvez o ano tivesse sido luminoso e eu nem notasse
Snow day – Bill Zhong
Talvez o ano tivesse sido luminoso e eu nem notasse Tal a intensidade do frio que me percorreu Que de repente, se eu tivesse ficado desperto e acordasse Do longo inverno que sobre mim desceu, Apenas ficasse encadeado e nem reparasse Que se tratava apenas de um sorriso teu. Mundo liquefeito
O sorvedouro
Um sol de chumbo
Sou o idiota
O Branco
Cheiro o vento
Os pilares dos palácios de água
A luz que me cega
Poema a um dia esquecido
Verdes anos
Black or White
tempo
Fado
Sonho
Chuva
A abelha, a velha e o rapaz (e a pedra)
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