| Sou o idiota que procura no horizonte O fim do mundo Para o ultrapassar, num passo destemido E assim conhecer da alma, o fundo Que se não alcança por estar destruída a ponte Entre o universo que imagino e aquele em que vivo, Sofrido. Sou o cavaleiro da lança de desejo Que rasga o ar em investidas de bobo. Pantomina que descreve os sonhos e as certezas No galope com que enfrento sem pejo O riso dos que me dizem que já não há lobo Que valha a pena perseguir. Sou o fazedor de pó na estrada sem fim Carregando num alforge a flor murcha Que nunca entregarei. Talvez um dia alguém se lembre de mim E diga que me viu passar na estrada ao ocaso, Envergando a lança num porte galhardo Sorriso nos lábios, cara de idiota, Ar de bobo e pose de desejo. |