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Na alvorada dos tempos que vão perecendo
Subsiste aquele indefinível sentir do abandono
Perto daquele sorvedouro de sentimentos
A que alguns chamam
Coração.
Pelo raiar do dia vou aconchegando a solidão
Pegando nas migalhas que ainda conservo
De banquetes onde me deliciei com o fruto
Proibido.
Vendo ao longe passar os vapores que não aportam
E que poderiam trazer – quem sabe
A passageira que há muito pisou convés e zarpou
Na tarde em que o sol teimava em dourar as paredes
Dos casarões que de repente deixaram de ter janelas.
A maré recuou, e nunca mais beijará meus pés
Cansados
De caminhar pelas ruelas desta cidade que desconheço
De tanto a percorrer de olhos vendados.
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