Desejos
Riflessi dopo la pioggia – Gabriele Simonetti
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Há no teu cândido sorriso o sabor da fruta madura
Das tardes de verão em que percebemos que estamos vivos
Apenas porque o sol está ali para nos aquecer, e a aragem
Que sopra dos ramos dos salgueiros traz perfumes
Que nos fazem apetecer encher o peito de ar, e ir por ali
Estrada fora à conquista dos reinos onde por nós espera
Uma princesa cujo cândido sorriso tem o sabor da fruta madura…
Há no teu porte o desejo que o dia dure nem que seja mais um segundo
Para que um piscar de olhos não desperdice o tempo em que posso
Ficar simplesmente no recato do fundo de uma sala,
Quedo na contemplação do modo como pousas as mãos
Como se o mundo fosse a taça que ergues no brinde à vida
E eu, apenas uma das almas que no torvelinho dos suplicantes
Vê no teu porte o desejo que hoje, só hoje (e amanhã, e depois de amanhã…)
Mesmo agora quando já não provo da fruta do teu sorriso
E apenas me limito a recriar o teu porte na memória que de ti guardo
Continuo a desejar que o segundo que injustamente me é roubado
Pudesse ir descobrir-te perdida num reino de conquista feroz
Que me fizesse provar-te que o desdém pela minha morte
É sincero e mais não deseja que se cerrar de vez os olhos
Estes o façam ao toque suave das tuas mãos, num brinde eterno.